Ontem o Inter perdeu a chance de virar líder isolado e abrir vantagem na competição, entretanto tropeços acontecem e foi o que aconteceu no domingo. Foi uma pena, um balde de água fria aquele terceiro gol cruzeirense que depois dele, time e torcida desanimaram. Tempo tinha, mas empolgação não.
Nesses momentos de superação sempre lembro do jogo de 2006 contra o Pumas, quando saímos de um placar adverso de 2 X 0 para uma brilhante vitória. Para Fernando Carvalho, esse jogo foi decisivo para mostrar que o time era valente e a torcida estava com a equipe, que apesar das dificuldades, estávamos todos juntos. Esse estar junto tinha que ter aparecido ontem, mesmo apesar da adversidade, tínhamos que ter empurrado mais o time.
Dagoberto declarou 'A torcida é o reflexo do que o time mostra', sendo assim, qual é o reflexo da torcida Colorada? Nosso reflexo é de apoio ou desânimo? Se o São Paulo pode no ano passado sair atrás de 11 pontos de diferença do líder e se sagrar campeão, porque o Inter não pode reagir e correr atrás dos pontos perdidos em casa? O torcedor tem o poder de fazer a diferença e de virar esse jogo, não perdemos a guerra, apenas uma batalha. Vamos deixar que os paulistas levem novamente esse título? Vamos querer ser taxados de que os gaúchos vencem o primeiro turno, mas não levam o campeonato? Vamos deixar o título novamente nas mãos deles, mais um ano???
Depende de nós, nós podemos e devemos fazer essa diferença. Quero apoio incondicional, quero o grito mais alto até ficar sem voz, quero garra durante os 90 minutos e quero ver o Gigante lotado em todos os jogos que restam. Se nós podemos, nós faremos... se temos o poder, então vamos fazer o estádio ferver. Na semana Farroupilha, lembramos dos bravos gaúchos que fizeram essa história e dos momentos decisivos em que sempre estivemos envolvidos na história brasileira. Sirvam de modelo nossas façanhas, para que assim possamos com bravura e garra alcançar o título maior.
Podemos ser considerados bairristas ou não brasileiros, somos gaúchos acima de tudo, guerreiros incansáveis e destemidos. Abaixo segue um texto do Arnaldo Jabor que fala sobre isso, vejam que somos diferenciados e que podemos sim FAZER A DIFERENÇA.
-------------
Pois é.
O Brasil tem milhões de brasileiros que gastam sua energia distribuindo ressentimentos passivos. Olham o escândalo na televisão e exclamam 'que horror'. Sabem do roubo do político e falam 'que vergonha'. Vêem a fila de aposentados ao sol e comentam 'que absurdo'. Assistem a uma quase pornografia no programa dominical de televisão e dizem 'que baixaria'. Assustam-se com os ataques dos criminosos e choram 'que medo'. E pronto! Pois acho que precisamos de uma transição 'neste país'. Do ressentimento passivo à participação ativa'.
Pois recentemente estive em Porto Alegre, onde pude apreciar atitudes com as quais não estou acostumado, paulista/paulistano que sou. Um regionalismo que simplesmente não existe na São Paulo que, sendo de todos, não é de ninguém. No Rio Grande do Sul, palestrando num evento do Sindirádio, uma surpresa. Abriram com o Hino Nacional. Todos em pé, cantando. Em seguida, o apresentador anunciou o Hino do Estado do Rio Grande do Sul. Fiquei curioso. Como seria o hino? Começa a tocar e, para minha surpresa, todo mundo cantando a letra! 'Como a aurora precursora / do farol da divindade, / foi o vinte de setembro / o precursor da liberdade '. Em seguida um casal, sentado do meu lado, prepara um chimarrão. Com garrafa de água quente e tudo. E oferece aos que estão em volta. Durante o evento, a cuia passa de mão em mão, até para mim eles oferecem. E eu fico pasmo. Todos colocando a boca na bomba, mesmo pessoas que não se conhecem.
Aquilo cria um espírito de comunidade ao qual eu, paulista, não estou acostumado. Desde que saí de Bauru, nos anos setenta, não sei mais o que é 'comunidade'. Fiquei imaginando quem é que sabe cantar o hino de São Paulo. Aliás, você sabia que São Paulo tem hino? Pois é... Foi então que me deu um estalo. Sabe como é que os 'ressentimentos passivos' se transformarão em participação ativa. De onde virá o grito de 'basta' contra os escândalos, a corrupção e o deboche que tomaram conta do Brasil?
De São Paulo é que não será. Esse grito exige consciência coletiva, algo que há muito não existe em São Paulo. Os paulistas perderam a capacidade de mobilização. Não têm mais interesse por sair às ruas contra a corrupção. São Paulo é um grande campo de refugiados, sem personalidade, sem cultura própria, sem 'liga'. Cada um por si e o todo que se dane. E isso é até compreensível numa cidade com 12 milhões de habitantes. Penso que o grito - se vier - só poderá partir das comunidades que ainda têm essa 'liga'. A mesma que eu vi em Porto Alegre. Algo me diz que mais uma vez os gaúchos é que levantarão a bandeira. Que buscarão em suas raízes a indignação que não se encontra mais em São Paulo.
Que venham, pois. Com orgulho me juntarei a eles. De minha parte, eu acrescentaria, ainda: '...Sirvam nossas façanhas, de modelo a toda terra...'
Arnaldo JaborMarcadores: Brasileiro, Brasileiro 2009, Cruzeiro, Torcida  |