Recebi esses textos por e-mail e os achei nota 10. Um deles não sei o autor, mas a emoção não precisa de saber nomes, apenas sentir a sensação de viver tudo isso.
TEXTO 1 Século em 45 minutos Por Marcelo Benvenutti 21/04/2009
Em 45 minutos, o Internacional mostrou aos 40 mil presentes no estádio e aos milhões que acompanharam ao vivo ou por reprises o que realmente podemos chamar de futebol. Que os faladores, os secadores, os mau humorados falem que o adversário estava desfalcado de dois jogadores emprestados pelo próprio Colorado. Que falem! Se estivessem em campo, falariam, maldosamente, que estavam vendidos. Que falem que Gauchão não vale nada, e não vale muita coisa mesmo, não vale nem o cargo de treinadores antes ditos como competentes. Competem tanto que esquecem o básico. Vencer. Jogando futebol. Por que não?
Em 45 minutos, o Internacional finalmente mostrou o que sabe fazer. Muitos dirão que o jogo foi fácil. Não. Não foi fácil antes. Não seria agora. Os jogos nunca são fáceis. As corridas na chuva não são mais difíceis. O piloto é que a torna mais fácil. Os gols de placa não são feitos por acaso. Nascem do virtuosismo dos escolhidos. Dos escolhidos que lutaram pela perfeição. Ninguém é escolhido por acaso. Não existe mágica. Existe trabalho. Trabalho e imaginação. Imaginação e sorte; dádiva e dor. Tudo nasce e morre ao mesmo tempo. Assim como um gol colorado após o outro.
Em 45 minutos, o Internacional marcou e fechou todos os espaços do valente Caxias. Valente porque ousou jogar de igual para igual. Devemos valorizar os insanos que assim pensam. O racionalismo riograndense chegou a tal ponto da intelectualidade inóspita que, aqui nessas plagas, ousar jogar futebol é considerado uma chaga de Cristo. É um pecado imortal. De carioca pra baixo é o time xingado. Pois o Internacional não teme ser carioca. Pois o Inter é carioca. É paulista. É argentino. Italiano. Inglês. Africano. Sempre foi assim. Desde o início dos tempos. E os tempos começaram em 4 de abril de 1909. Dia em que nasceram o Internacional e Vicente Rao. A alegria do futebol.
Em 45 minutos, D'Alessandro, o centro da roda colorada, fez o jogo girar ao seu redor. Guiñazu e Magrão cortando pelos lados. Sandro, um verdadeiro camisa 5 usando a 8 nas costas, guardando a zaga. Álvaro se redimindo de noites passadas. Índio perdendo gols. Bolívar dando ares na frente. É dele o passe para um dos gols. Kleber, finalmente solto de suas grades pelo Tite. Solto por Sandro. Por Guiñazu. Kleber fazendo de ponta o que um lateral deve saber das pontas. Cruzar com precisão. E Taison? Quem é ésse cara? Taison é um extraterrestre. Taison não existe. É um bólido incandescente circulando pela área adversária. Nem mesmo Nilmar consegue alcançá-lo. Taison é o pulmão colorado. Taison é o estertor da civilização vermelha.
Em 45 minutos, o Internacional jogou futebol. Futebol como poucas vezes se viu, e talvez se verá, no gramado verde da beira do Guaíba. E o pior é que não existiu nada de mágico naquilo. Ou melhor. Pois o Internacional trabalhou para isso. Tite esbravejava com o placar de 5 gols favoráveis em meia hora de partida. Maior obsessão, impossível. Esse time do Inter é feito de obsessivos. Treinado por um obsessivo. Que comemora um título ao lado da mãe, nervosa, chorando, com o terço na mão. Nem só de terços vive este time. Não negamos as ajudas dos céus ou dos infernos, de um dos quais D'Alessandro parece ter vindo. Este time é a obsessão de um homem chamado Fernando Carvalho. É a obsessão de uma torcida, sofrida, calejada, que não quer só ver seu Inter ser campeão. De qualquer jeito. Sim, quer vencer. Mas mais que vencer. Os colorados amam o futebol. Nós queremos espetáculo.
Em 45 minutos, a torcida colorada reviveu o futebol épico de outras eras. Era como se Carlitos estivesse ali recuando para cabecear inclinado. Como se Escurinho e Falcão estivessem trocando passes de cabeça até matar torcedores de infarto nas arquibancadas. Como se Valdomiro fizesse aquele golaço na final do estadual de 1978. Fabiano naquele golaço de fora da área contra o Santos. Fernandão no bate-roupa de Ceni. O Internacional estabeleceu para si o parâmetro de seus próprios limites.
Em 45 minutos, o Internacional apresentou todas as suas armas. Agora, tudo o que vier será comparado. E é bom que exista a comparação. Pois quando se atinge o ideal, o máximo que se exige é repeti-lo. O máximo que se exige é revivê-lo. O Inter reviveu seus grandes jogos e seus grandes times. O Rolo dos 40. O Rolinho dos 50. A máquina dos 70. Uma aceleração do futebol da Libertadores de 2006. Um grande clube estabelece suas próprias limitações.
Em 45 minutos, o Internacional estabeleceu que para ele não existe limites.
Em 45 minutos, o Internacional jogou por um século.
TEXTO 2
CENTENÁRIO incrível! Um final de semana memorável e de muitas... muitas emoções...
Mesmo após a vitória no Grenal não gozei nenhum amigo gremista... não toquei flauta...
Por quê?
Porque durante esta semana do CENTENÁRIO eu percebi algumas diferenças entre gremistas e colorados.
Em uma Missa na Catedral, o Arcebispo entregou um Diploma do vaticano, com uma benção do PAPA! Um Clube sendo abençoado pelo PAPA! Na sexta feira, dia 03 de abril, por volta das 23 horas, resolvi dar uma "passadinha" pelo Beira Rio para ver os fogos na contagem regressiva do centenário. Passadinha?! Que passadinha nada... fiquei num engarrafamento monstro durante uma hora e vi o centenário passar há cerca de 200 metros do gigantinho, em plena Padre Cacique. Eu achei que entraria tranquilamente no Beira Rio a meia-noite. Milhares de pessoas se deslocaram para lá pensando a mesma coisa.
No sábado pela manhã, dia do CENTENÁRIO, sob um calor escaldante, mais de 30.000 mil colorados saíram pelas ruas na CAMINHADA DO CENTENÁRIO, desde o local onde existiu o primeiro campo do Inter até o Beira Rio. Uma massa humana tomou conta de Porto Alegre. Manifestação espontânea e demonstração de Amor Popular ao INTER ! O CLUBE do POVO estava nas ruas extravasando seu amor pelo INTER...
A noite um JANTAR brilhante para mais de 3000 pessoas, num Gigantinho maravilhosamente preparado para o evento. Quem lembra do centenário do Grêmio? Lembro de um passeio ciclístico e de um galeto (um pouco maior do que os da banda). Mas por que foi assim? Porque o gremista tem uma alma diferente do colorado. Falta uma pureza, uma espontaneidade, natural das pessoas simples, que se identificam com o povo, que são livres dos preconceitos, sejam raciais, culturais ou sociais. A diferença também está na cor vibrante do vermelho! Está na universalidade dos princípios do Clube do Povo... todas as raças, todas as classes sociais...Essa é a diferença ! Somente uma Nação como a Colorada consegue "arredar" um Rio e construir um estádio... tijolo a tijolo...Nenhum Clube tem uma história tão bonita e repleta de fatos históricos. A história do Rolo Compressor e de Vicente Rao são raridades no futebol mundial... O esquadrão da década de 70 foi um dos melhores do mundo, em todos os tempos. Os títulos temos TODOS! A hegemonia estadual e em GreNais é do Inter. Portanto, a festa do CENTENÁRIO não poderia ter sido diferente... participação popular de massa, nas ruas, com emoção coletiva, com um evento social para quem podia pagar...enfim, festa pra todo povo colorado. Ninguém ficou de fora da festa... teve espaço pra todos...democraticamente...Em todo o planeta houve comemorações ! A Alma Colorada é assim... Alegre, vibrante e espontânea ! A ALMA COLORADA é de outra dimensão... gremistas e Colorados não ocupam o mesmo espaço universal. A frequencia vibratória é diferente! Coisas da ALMA e do Espírito !
E aí veio o domingo do GreNal!
Fui para o estádio, como faço há 32 anos. Deixei o carro próximo do lendário Eucaliptos e fui caminhando. No trajeto eu percebi que as pessoas não estavam apenas alegres, estavam em transe, eufóricas e algumas histéricas... Desde a década de 70 eu não via a torcida em estado de comoção pelas ruas... Na Padre Cacique se aproximava, pela contramão, com motociclistas batedores a frente, o ônibus do INTER. Parei pra saudar o ônibus e aquela "onda de emoção" me tocou também... me veio à cabeça todos os momentos que passei no Beira Rio, com meus tios, avô, pai etc... Os piores momentos vieram à cabeça, os sofrimentos, as frustrações e a superação disso tudo com os Títulos memoráveis que conquistamos... Quanto frio, chuva, vento, jogo ruim de Gauchão, decisões, vitórias, gols inesquecíveis, derrotas, fracassos... tudo veio na memória em segundos...Pensei em voltar pra casa, pois achei que não suportaria a emoção de mais um grenal histórico. Pensei: Não tenho mais idade pra essas coisas, vou ter uma parada cardíaca. Chorava sem controle. Um "descontrolado". A massa vermelha correndo atras do onibus era uma imagem forte, a data era forte, o jogo era forte... e eu não sou tão forte assim...aquele "mar vermelho" invadindo o Beira Rio me dizia: Estou vivendo mais um momento histórico do Inter, estou no GreNal do centenário, que será lembrado pra sempre. Que felicidade poder participar de mais essa epopéia Colorada! O momento era comparável à inauguração do Gigante. Resolvi entrar, já um pouco mais controlado, pela mesma rampa, mesmo portão e mesmo setor do estádio, onde sentei no TRI brasileiro, na Libertadores, na Recopa e na Sulamericana (superior lado do gigantinho). Ué, e na Copa do Brasil tu não tava? Não, pois naquele dia estava em Guaporé ganhando mais um campeonato com a Banda e acompanhei o jogo pelo rádio do onibus(dezembro de 92). Só a Banda pra me tirar de um jogo decisivo!
Começou o jogo! Mais um grenal ! Jogo difícil, feio, muito bem marcado... Grêmio na frente... Ao final, mais uma vitória histórica e emblemática!
Mas, por que não gozei os gremistas? Porque percebi qual a importancia do Gremio na vida centenária do Inter. A história do INTERNACIONAL é um filme de amor e o Gremio faz o papel de protagonista... O Grêmio só existe para ser o vilão, o dificultador, o motivador, aquele que faz o heroi sofrer...mas no final sempre triunfa o INTER. Até os momentos de glória do Grêmio fizeram parte do enredo, da história do filme Colorado... deram maior dramaticidade, suspense, teve até terror nas décadas de 80 e90! Tudo para tornar mais emocionante a Vitória triunfante do CLUBE DO POVO! Sim, o Gremio é o protagonista da história do Inter. Obrigado Gremio e gremistas, por darem um brilho especial a nossa obra e ao nosso CENTENÁRIO.
SAUDAÇÕES COLORADAS!Marcadores: Caxias, Centenário, Gauchão, Gauchão 2009, GreNal  |